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Viver histórias: o combustível oficial da inspiração

Postado em 20/08/2018

Viro a página do calendário e já é julho! Tá explicado o cansaço! E agora, aos 40, a paciência também já não é a mesma... Preciso de férias! Depois de tantos meses seguidos de pauta lotada, nada como aproveitar as férias escolares do filho pra deixá-lo na vó e tirar uma semaninha pra relaxar. Claro que, pra isso, fiz muita hora extra antes e deixei tudo bem organizado, como eu gosto e sei que a agência espera!

Destino? Calor, com certeza! Entre todas as opções, escolhi um lugar que eu sempre soube (sei lá como) que um dia iria: Morro de São Paulo, uma ilha na Bahia, ao Sul de Salvador. Achei que seria um bom destino pra minha primeira viagem sozinha. Um lugar paradisíaco, sem carros, onde eu pudesse me desligar do mundo e, como toda redatora que se preze, colocar a minha leitura em dia. Então separei três livros (pra não correr o risco de escolher um que fosse chato):

  • 66 histórias de uma volta ao mundo, da jornalista Nara Alves, que larga toda a estabilidade e o prestígio de um emprego dos sonhos pra viver com o namorado uma jornada de descobertas por diversos cantos do planeta, experimentando as mais diversas culturas e relatando tudo com uma linguagem simples e próxima;

  • Rita Lee – Uma autobiografia, a história autorizada da rainha do rock brasileiro que mais parece não autorizada, segundo críticas, tamanha a honestidade. Dizem que a Mutante conta desde a sua infância até o último porre, sempre de forma corajosa, sem a menor culpa;

  • e Viagem Espiritual – A Projeção da Consciência, pra preencher o meu lado zen. Nesse livro, Wagner Borges aborda a arte das experiências fora do corpo, questionando a respeito da nossa consciência durante o sono.

Muito bem equipada, embarquei num sábado de madrugada, esperando chegar no paraíso até o por do sol.

Imprevistos servem pra testar a nossa paciência, só pode! Como se não bastasse todo o estresse acumulado, o voo da minha conexão que sairia de São Paulo pra Salvador foi cancelado! Parece que um problema em alguns radares tem afetado muitos aeroportos nos últimos dias. Depois de hoooras sem qualquer informação sobre o que fariam com a gente, mandaram todos pra um hotel próximo a Guarulhos, pra descansar. Descansar? Em Sampa? Aff, não era nada disso que eu queria! Mas não me restava outra coisa, até porque já tinha embarcado na madruga em Floripa e o novo voo pra Salvador partiria de novo num horário em que normalmente eu estaria dormindo.

Com um dia de atraso e duas noites mal dormidas, enfim cheguei na capital baiana! Agora, uma aventura até Morro: uns 45 minutos de barco, seguidos de quase duas horas de ônibus e mais uns 20 minutos de lancha. Pronto! (Como falam essa palavra na Bahia!) Já no “portal” de entrada, a energia do lugar se mostrava evidente! Carrinhos de mão fazendo o papel de táxis são excelentes opções pra você não ter que subir as ladeiras carregando suas trouxas, já que o nome Morro realmente faz jus ao relevo.

Minhas miniférias consistiram em seis dias incríveis de sol, mar, natureza, caminhadas, camarões, lagostas, polvos, lulas, caipifrutas de cacau e frozens de manga (minhas bebidas oficiais desses dias), entender a diferença entre um coqueiro e um pé de dendê e muuuito papo com os moradores locais e com a Ana, uma gaúcha que conheci na lancha e virou minha amiga de infância! Sim, descobri que viajar sozinha facilita muito a aproximação das pessoas, ainda mais quando você já é por si só um ser comunicativo. Pra se ter uma ideia, minha leitura ficou na metade do livro menor – e por isso o que estava sempre na minha mochila –, o da volta ao mundo, que era ótimo! Rita, “desculpe o auê, eu não queria magoar você...” Ainda vou ler tua história, ah se vou! Assim como quero muito aprender mais sobre a projeção da consciência.

Uma vez li numa placa a caminho de Bombinhas uma frase que dizia algo como “Tenha calma, não é fácil chegar no paraíso!” Realmente! Nem chegar e muito menos sair! Tanto que a minha volta à vida real também não foi nada fácil: voo atrasado, troca de companhia aérea e mala extraviada! Siiim, pela primeira vez na vida, vivi o pesadelo de ver a esteira ser desligada e a minha mala não chegar. Mas ok, a Kátia (minha grande amiga e chefe), que já viajou muuuito mais do que eu nessa vida, me tranquilizou via WhatsApp até minha bagagem chegar no voo seguinte. Ufa!

O que eu quero dizer com tudo isso é que sim, EU PASSARIA DE NOVO POR TODOS ESSES CONTRATEMPOS PRA REVIVER ESSES DIAS NO PARAÍSO! Pois férias são muito mais que um luxo, são uma necessidade da vida atual! Quem não para, pira! E pra quem trabalha com criação, elas ainda têm uma vantagem a mais: criar é contar histórias e fica muuuito mais fácil e natural contar histórias quando se vive histórias! “Carla, você tá dizendo que precisa viajar pra viver histórias?” Não! Mas pra viver histórias diferentes e disruptivas, talvez. Então inspire-se e boa viagem!


Por: Carla Maurer

Redatora e Revisora da KWB, seguiu seu sonho de morar na praia e às vezes a gente até esquece que ela não tá na sala ao lado e sim trabalhando no formato home office. Como toda boa geminiana, é multifacetada e está sempre se reinventando.


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